terça-feira, 23 de novembro de 2010

Guarde as suas migalhas para você



Na minha vida inteira, eu nunca tive nada do que eu sempre quis ter de você. Nada, nem um por cento. Presentes? Isso nunca fez diferença. Um rápido carinho no rosto quando estava a quase um ano sem me ver? Até um desconhecido é capaz de me fazer.

No momento que conquistei um pouco mais do que isso (por conta própria), passei a me segurar, a me agarrar com todas as forças neste pouco que recebia. Quando passei a ganhar estas migalhas que você começou a me oferecer, minha vontade de recebê-las era tão grande que se tornaram suficientes pra mim. E sempre tive muito medo de perdê-las. Muito, muito medo. Porque levei tantos anos para conseguí-las que seria a morte para mim não mais as ter.

Com o passar dos anos, comecei a perceber que estas míseras migalhas não eram exatamente o que eu queria de você. Eram bem menos, muito menos. Não eram mais suficientes perto da fome que eu sempre tive daquilo que você nunca me deu. Comecei a ficar insatisfeita, mas sempre calada. Sempre me segurando para não reclamar de nada. Quando tinha de lhe pedir alguma coisa, suava frio. Meu coração acelerava. Eu ficava nervosa, engolindo as lágrimas, quase implorando para não ter que fazer aquilo. Mas no fim, sem opção, acabava por fazer.

Eu nunca quis o seu dinheiro. Pelo contrário, se eu não precisasse dele, nem chegaria perto. O que eu sempre quis, foi a sua presença. Estar perto de você. Ter o seu carinho, o seu apoio, o seu orgulho, a sua atenção, a sua preocupação. E o que eu sempre tive foram migalhas.

E agora, você fez questão de jogar na minha cara todas as migalhas que você me oferece. Me deu o tiro de misericórdia da forma mais covarde possível. Talvez se você enfiasse uma espada no meu peito, seria menos doloroso. Mas agora, guarde as suas migalhas pra você. Eu não necessito mais delas. Infelizmente, aprendi a não precisar de você.

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